domingo, 8 de dezembro de 2013

Federalismo. Que federalismo? :: Gustavo Krause


13/11/2012
Federalismo. Que federalismo? :: Gustavo Krause
Gustavo Krause
O governo federal abusou de dar boa noite com o chapéu alheio. Usou o IPI para turbinar o consumo de automóveis e encher a burra de toda a cadeia produtiva. Em contrapartida, infartou o trânsito nas cidades, engordou a inadimplência do consumidor ávido e, o que é mais grave, reduziu significativamente o Fundo de Participação dos Estados e, de modo mais agudo, o Fundo de Participação dos Municípios. Todo mundo sabe que o governo federal (e, para ser justo, a distorção vem de longe) para evitar perda de receita criou as contribuições sociais que não alimentam os mencionados fundos, restritos à parte da arrecadação do IPI e do IR.
Em boa hora, o governador de Pernambuco reagiu e interpretou o sentimento generalizado dos prefeitos que sentiram soco no estômago, melhor dizendo, no bolso que, segundo o pragmatismo anatômico, é a parte mais sensível do corpo humano. Sua Excelência defende um novo pacto federativo. Ora, federação etimologicamente já significa pacto e, na origem do caso brasileiro, nunca houve este pacto. O que há é um nominalismo oco, inscrito nas constituições brasileiras desde a de 1891. E no caso do federalismo, nossos constituintes de 91 fizeram nascer os Estados Unidos do Brasil, uma cópia tosca e desbotada da sólida federação dos Estados Unidos da América.
Desta forma, o governador de Pernambuco coloca na agenda nacional um tema que, espero, transcenda o federalismo fiscal e estimule o debate mais amplo, complexo e conflituoso sobre o federalismo político. A propósito, o tema me faz recordar uma exposição que fiz, no exercício do mandato de deputado federal (1992), sobre a conjuntura brasileira para uma comitiva de deputados americanos. Na ocasião, parti de uma premissa pouco usual, ao propor que os colegas arquivassem os instrumentos convencionais de análise porque o Brasil era um País que funcionava sem moeda, orçamento e federação, três pilares de qualquer sociedade razoavelmente civilizada. Antes que o espanto e a incredulidade tomasse conta da comitiva passei a explicar que no lugar da moeda existia uma cumplicidade aritmética entre os agentes econômicos garantida pelos índices de correção monetária por conta de uma inflação crônica e crescente (não sei se entenderam): o orçamento era uma lei meramente autorizativa (lei autorizativa?), uma peça de ficção, um espaço de tramoia e escândalos recorrentes, e o federalismo, bom, aí estava eu diante de cidadãos cuja história e cultura política deram origem e fizeram funcionar o federalismo moderno que é o mais notável resultado da convenção federal. De fato, o federalismo dos EUA nasceu de baixo para cima: um pacto entre entidades que partiram de uma confederação, como está escrito na Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776), para um pacto federativo estabelecido pela Constituição (1787), somente ratificada em 1788, merecendo destaque o amplo debate que deu origem à notável obra O federalista (textos de Hamilton, Madison e Jay).
Por outro lado, é importante não esquecer que a Guerra de Secessão representou um grave risco de fragmentação que, segundo Lincoln, via na nação americana "uma casa dividida". Terminou por fortalecer o ideal federalista frente ao risco confederado. Além de ter nascido de baixo para cima, a federação americana resulta de um movimento de centralização de poder suficiente para manter o equilíbrio entre forças centrifugas e centrípetas que ameacem a integridade nacional.
No caso brasileiro, ocorre o inverso: o federalismo nasceu de cima para baixo associado a um precário processo descentralizador. Ademais, a história e a cultura política não ajudam o aperfeiçoamento do federalismo político: o império unitário e os ciclos centralizadores do autoritarismo político desequilibraram as relações entre os entes federados, a relação clientelista entre o governo central, os Estados-membros e os municípios, é uma força que atua na manutenção de conveniente dependência.
O pires na mão é a triste imagem que ratifica a frase do ex-governador Joaquim Francisco de que não existe liso brabo. Ainda assim, vale a pena lutar.
Gustavo Krause, consultor, foi ministro da Fazenda e do Meio Ambiente

domingo, 6 de janeiro de 2013

Carga Tributária. Será que esses números estão corretos?

IBPT - INSTITUTO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
Percentual de Tributos sobre o " Preço Final "!
 
PRODUTO                                                                 % Tributos/preço final
 
 
Passagens aéreas
8,65%
Transporte Aéreo de Cargas
8,65%
Transporte Rod. Interestadual Passageiros
16,65%
Transporte Rod. Interestadual Cargas
21,65%
Transp. Urbano Passag. - Metropolitano
22,98%
Vassoura
26,25%
CONTA DE ÁGUA
29,83%
Mesa de Madeira
30,57%
Cadeira de Madeira
30,57%
Armário de Madeira
30,57%
Cama de Madeira
30,57%
Sofá de Madeira/plástico
34,50%
Bicicleta
34,50%
Tapete
34,50%
MEDICAMENTOS
36%
Motocicleta de até 125 cc
44,40%
CONTA DE LUZ
45,81%
CONTA DE TELEFONE
47,87%
Motocicleta acima de 125 cc
49,78%
Gasolina
57,03%
Cigarro
81,68%

PRODUTOS ALIMENTÍCIOS BÁSICOS
 
Carne bovina
18,63%
Frango
17,91%
Peixe
18,02%
Sal
29,48%
Trigo
34,47%
Arroz
18,00%
Óleo de soja 
37,18%
Farinha
34,47%
Feijão 
18,00%
Açúcar
40,40%
Leite
33,63%
Café
36,52%
Macarrão
35,20%
Margarina
37,18%
 

Molho de tomate
36,66%
Ervilha
35,86%
Milho Verde
37,37%
Biscoito
38,50%
Chocolate
32,00%
Achocolatado
37,84%
Ovos
21,79%
Frutas
22,98%
Álcool
43,28%
Detergente
40,50%
Saponáceo
40,50%
Sabão em barra
40,50%
Sabão em pó
42,27%
Desinfetante
37,84%
Água sanitária
37,84%
Esponja de aço
44,35%

PRODUTOS BÁSICOS DE HIGIENE
 
Sabonete
42%
Xampu
52,35%
Condicionador
47,01%
Desodorante
47,25%
Aparelho de barbear
41,98%
Papel Higiênico
40,50%
Pasta de Dente
42,00%

MATERIAL ESCOLAR
 
Caneta
48,69%
Lápis
36,19%
Borracha
44,39%
Estojo
41,53%
Pastas plásticas
41,17%
Agenda
44,39%
Papel sulfite
38,97%
Livros
13,18%
Papel
38,97%
Agenda
44,39%
Mochilas
40,82%
Régua
45,85%
Pincel
36,90%
Tinta plástica
37,42%

BEBIDAS
 
Refresco em pó
38,32%
Suco
37,84%
Água
45,11%
Cerveja
56,00%
Cachaça
83,07%
Refrigerante
47,00%
CD
47,25%
DVD
51,59%
Brinquedos
41,98%

LOUÇAS
 
Pratos
44,76%
Copos
45,60%
Garrafa térmica
43,16%
Talheres
42,70%
Panelas
44,47%

PRODUTOS DE CAMA, MESA E BANHO,OUTROS
 
Toalhas - (mesa e banho)
36,33%
Lençol
37,51%
Travesseiro
36,00%
Cobertor
37,42%
Automóvel
43,63%

ELETRODOMÉSTICOS
 
Sapatos
37,37%
Roupas
37,84%
Aparelho de som
38,00%
Computador
38,00%
Fogão
39,50%
Telefone Celular
41,00%
Ventilador
43,16%
Liquidificador
43,64%
Batedeira
43,64%
Ferro de Passar
44,35%
Refrigerador
47,06%
Vídeo-cassete
52,06%
Microondas
56,99%

MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
 
Fertilizantes
27,07%
Tijolo
34,23%
Telha
34,47%
Móveis (estantes, cama, armários)
37,56%
Vaso sanitário
44,11%
Tinta
45,77%
Casa popular
49,02%
Mensalidade Escolar
37,68% (ISS DE 5%)